Estimulação de fala e linguagem em tempos de Pandemia

O desenvolvimento de fala e linguagem tem como base os sentidos corporais (visão, audição, olfato, paladar, tato), a relação com pessoas próximas, e a lembrança das sensações já vivenciadas, tanto com objetos quanto com adultos de modo geral. A linguagem e a fala estão intimamente interligadas, mas não se iniciam realmente juntas. Não é raro uma criança que ainda não saiba falar, ter uma comunicação gestual competente que faz com que os familiares consigam entender o que está sendo solicitado.

A “fala” tem sua origem no primeiro choro. Por volta dos 3 aos 5 meses o bebê faz sons aleatórios por prazer, como um brincar. Já perto dos 6 meses até aproximadamente os 8 meses, estes sons começam a apresentar características dos sons/fonemas que falamos. Perto dos 9- 10 meses, este bebê já “brinca de falar”, deixando um espaço entre a sua fala e a do adulto.


DICAS para este período:

· Estimule muito o balbucio do seu bebê, repita os sons que ele está produzindo, perceba que algumas sequências de sons se parecem com palavras que estão no nosso vocabulário e repita estas palavras para ele. Coloque músicas infantis, sons de natureza e de bichos para estímulo auditivo. Realize brincadeiras adequadas à faixa etária, use palavras e frases simples, sempre fale o que está fazendo com o bebê no momento. Nesta época que estamos sempre de máscara, capriche na pronúncia, já que normalmente, a voz fica distorcida. Quando estiver sem a máscara, de ênfase em falar de modo que a criança esteja vendo sua boca articulando bem as palavras.


Já por perto do primeiro ano de vida a criança já deveria estar conseguindo realizar muitos sons próximos dos que utilizamos em nossa língua. Normalmente, de 1 ano a 1 ano e meio já estão presentes as palavras funcionais. Ex: ua - para água/suco, papá - para todos os tipos de alimentos. Faz uso de onomatopeias (sons dos bichos) para nomeá-los, começa a nomear o que está fazendo.


CUIDADOS para este período:

· Como ainda não conseguem falar realmente o que querem, usam muito o gesto para obterem o que desejam. O momento é de oferecer o objeto dizendo o nome correto do que foi solicitado, de preferência, mais de uma vez. Outro ponto importante, é de não reforçar as palavras que estão sendo ditas de modo errado, claro que falam muita coisa engraçada, mas não reforce, isso pode prejudicar o desenvolvimento da fala, infantilizando-a.


DICAS para este período:

· Sempre articular bem o que se está falando com a criança, de preferência, que ela veja sua boca, cante músicas infantis que possuam gestos, cante com a criança e a ajude a fazer o movimento que a música solicita. Na medida do possível, espere a resposta da criança. Faça brincadeiras com sons de animais. Existem muitos livros para cada faixa etária, alguns que até vão para a banheira. Sempre deixe à disposição da criança este tipo de material.

Aprender a falar, não consiste apenas em memorizar sons e palavras. É um movimento ativo e contínuo com base na interação com tudo o que a cerca.


A fase de 1 ano e meio a 2 anos é mágica. Estão muito ativos no mundo que os cerca. Já é esperado que tenham um vocabulário que se faça entender pela sua fala.

É sabido que muitas crianças só iniciam a fala propriamente dita aos 2 anos. Parecem que acumularam os conceitos, as aprendizagens e de maneira “mágica” começam de modo rápido a usarem dia a dia mais palavras, conceitos. Se seu filho(a) está nesta faixa etária e as tão esperadas primeiras palavras não apareceram ainda, converse com seu pediatra e veja a possibilidade de colocá-lo em uma escola. Apesar de todos estarem com máscaras, o ambiente por si só é mais rico e diversificado em termos de estímulos.


A partir dos 3 anos, apesar de ainda estarem em desenvolvimento, sua fala já é rica em contexto, confundem tempos verbais, mas se fazem entender muito bem pela fala.

A aquisição de todos os fonemas, sons da fala, completa aproximadamente aos 5 anos.


VILÕES DO DESENVOLVIMENTO DA FALA

· Problemas respiratórios constantes.

· Alimentos com consistência inadequada, sempre muito amassados.

· O uso da fala infantilizada pelo adulto.

· Por já saber o que a criança quer falar, ou está apontando, a família não aproveita este momento para estimular a fala e oferece para a criança imediatamente o que foi solicitado.

· Uso contínuo de mamadeira e chupeta, além de 2 anos.

· Permitir que a criança fale com a chupeta na boca.


Resumindo: Tente sempre falar de modo que a criança consiga observar seus lábios, principalmente os bebês. Cuidado para não reforçar palavras ditas de modo engraçado, mas que estão erradas, cante músicas que possuam gestos, ajude a criança fazer coreografias, quando a criança apontar algo de seu interesse, formule uma frase com o nome do que ela solicitou, mais de uma vez.


Cuidado com a pressa! Na medida do possível espere a resposta da criança, solicite que ela diga o que quer. Se for ofertar uma fruta, diga o nome de duas disponíveis e peça para ela escolher verbalmente, se ainda não consegue verbalizar, reforce o nome da fruta escolhida na frase. Ao realizar os cuidados de banho e troca, vá narrando o que está sendo feito. Não infantilize a fala, mas também não utilize termos complexos. Livros são muito bem-vindos neste processo. Observe sempre a faixa etária de seu filho para escolher tanto as brincadeiras, quanto os livros. Deixe alguns “especiais” para ser manuseado com algum adulto. Capriche na articulação das palavras quando estiver usando máscara, ela ainda nos acompanhará por um longo período.


LUCIA HELENA FERREIRA ROSA – FONOAUDIÓLOGA (CRFa2 - 5474/SP)

ESPECIALISTA EM MOTRICIDADE OROFACIAL E FORMAÇÃO EM DISLEXIA



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